Cortejo/CINEPORT/Raízes Culturais


Abre ala gente!
Com licença menina
Este é o Jaguará
acompanhando a Colombina!

O refrão da cantiga do grupo folclórico “Mineiro-pau de Barão de Monte Alto” foi uma das grandes atrações da “manhã CINEPORT” de ontem em Cataguases, durante o cortejo de grupos de Charolas, Folias e Congados da região. “Segundo a lenda, Jaguará é o Urubu Rei que acompanha a Colombina, mulher que toma conta do boi, e o defende do fantasma Assombração”, como nos revela o coordenador do grupo Jaime Marques Ferreira.

O cortejo cumpriu um longo trajeto ao longo da Avenida Astolfo Dutra, a principal artéria da cidade, até alcançar a praça do Museu Chácara Dona Catarina, onde se apresentaram os alunos do núcleo de dança folclórica e capoeira do Centro das Tradições Mineiras- CTM.

Foi Minas, foram as Gerais, foi a mais autêntica Minas Gerais, atraindo os olhares curiosos das janelas dos prédios e das casas. Foi a tradição mineira contrastando com os flashes das câmeras. O turista português José Viegas foi firme ao dizer que “há muita semelhança entre o folclore português e o daqui, pois o contato entre as culturas enriquece cada uma delas”. Para ele, a manifestação transmitia muita alegria e vida. “Fantástico”, ressaltou com entusiasmo.

Ao todo, dez grupos participaram do cortejo, colorindo as ruas da sede do I CINEPORT, concentrando cerca de mil pessoas. Há quinze anos viajando pelo Brasil, o Bloco do Boi, da cidade de Descoberto, trouxe enormes bois com máscaras venezianas. É a inserção de elementos globais na cultura local. A tão esperada Folia de Reis não poderia ficar de fora da festa. Dois grupos mostraram seus palhaços e suas imagens sagradas. O fundador da Folia de Reis de Justino, José da Silva Lima, alerta que “para ser um folião não basta ter só vontade, tem que ter dom”.

Em frente ao Museu Chácara Dona Catarina, onde os grupos se apresentaram, a ancestralidade brasileira tomou conta da cena, quando o “Dança do Caboclo” representou dois rituais indígenas, trazendo para o evento o objeto concreto da nossa história. Outro destaque foi a apresentação dos 35 alunos do “Catu-auá”. A coordenadora e professora da equipe, Regina Cabral, explica o segredo para fazer um trabalho folclórico próprio, sem se apropriar das pesquisas de outros grupos: “Eu vou pro norte de Minas, ou pra onde quer que for, e busco a minha dança”.













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