Na tarde de ontem, um detalhe chamava a atenção no centro de Cataguases, em meio à longa fila que se armou em frente ao Edgard Cine-Teatro, na Praça Rui Barbosa. Não era como nos outros dias em que crianças e jovens dominavam o espaço, tendo entre um e outro um pai ou uma mãe. Havia muitas mulheres e homens que, certamente, se apaixonaram ouvindo “Codinome Beija-Flor”. Sucesso de crítica e bilheteria, o polêmico “Cazuza”, que lotou o cinema ontem, atraiu os fãs do cantor e os do ator Daniel de Oliveira, que interpretou o astro do rock.
Para os mais novos, o brilho na tela é todo do jovem galã. Mas para a operadora de telecomunicações Sílvia Carvalho, de 58 anos, é diferente. Sílvia conheceu Cazuza e sua mãe Lúcia Araújo há mais de vinte anos, quando morou no Rio. Ela conta que quando leu a programação do CINEPORT e viu o filme do ídolo decidiu na hora que iria assistir. Segundo ela, “a mídia fez uma divulgação muito bacana do longa, por isso ainda atrai tantas pessoas para as salas de exibição”.
Antes do início da sessão, Sílvia estava ansiosa para ver seus três ídolos: Cazuza, Lucinha e Daniel de Oliveira. Após o encerramento, ela era só emoção. Com os olhos cheios de lágrimas, revela que se surpreendeu com o trabalho dos atores, além de se emocionar com a maneira “leve” com que a história do vocalista foi contada. “Ele tinha vontade de adotar para não morrer. Sempre foi inimigo do tempo”, afirma.
O filme conta a vida louca que marcou o percurso profissional e pessoal do ex-vocalista do Barão Vermelho, retratando do início de sua carreira em 1981 até o ano em que morreu, 1990, com 32 anos. Suas músicas falam dos anseios de uma geração, do comportamento transgressor e da coragem de continuar criando e se apresentando, mesmo debilitado pela Aids.
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