CINEPORT - BEM (DE) PERTO
O ex-presidente português Mário Soares confirmou presença em Cataguases no próximo mês de junho para o CINEPORT. Também embaixadores e autoridades de vários países. E técnicos, e atores e cineastas. E cineastas, muitos cineastas, além dos três grandes homenageados com o “Troféu Humberto Mauro”: pela Guiné-Bissau, Flora Gomes; por Portugal, José Fonseca e Costa; pelo Brasil, Nelson Pereira dos Santos. O CINEPORT vai entregar os troféus “ANDORINHA” aos melhores trabalhos e filmes lançados em 2004 dentro do universo CPLP. E também o “ANDORINHA DIGITAL”, destinado às melhores realizações nesse formato. Mas, o que é Cataguases? O que é CPLP? E esse tal de CINEPORT?
O CINEPORT – Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa será realizado entre os dias 01 e 12 de junho na cidade Cataguases, Minas Gerais, e vai congregar cinematografias de quatro continentes: Europa (Portugal), Ásia (Timor Leste) África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe) e América (Brasil). São as oito nações que formam a CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, um universo com mais de 250 milhões de pessoas, tendo o português como língua oficial.
O CINEPORT se propõe a integrar esses mercados cinematográficos e se tornar um grande fórum cultural das nações CPLP, razão pela qual não se restringirá só ao universo do cinema, abraçando também manifestações nas áreas de artes plásticas, dança, literatura, música e teatro. Cinema, muito cinema, convivendo com palestras, workshops, conferências, debates, exibições e espetáculos diversos.
CINEPORT
Com edições anuais – realizando-se a primeira delas em Cataguases-MG, entre os dias 01 e 12 de junho de 2005 – o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa - CINEPORT acontecerá a cada dois anos no Brasil, revezando sua sede nos outros anos com Portugal e uma das demais nações de língua oficial portuguesa no Continente Africano.
Instituído pela Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho – entidade que tem se destacado na cena mineira pela qualidade de seus empreendimentos culturais– o Festival tem como objetivo integrar o mercado cinematográfico e promover os filmes realizados em português e dialetos falados nessas nações.
O CINEPORT irá conceder às produções e personalidades dos países CPLP três tipos de prêmio: Andorinha, Andorinha Digital e Humberto Mauro.
Para selecionar as realizações e conceder o Prêmio Andorinha, na modalidade 35mm, foi criada nas nações que compõem o “universo CINEPORT” a Confraria do Cinema, formada por profissionais da área, com atuação nos países de língua oficial portuguesa, e presidida pelo cineasta brasileiro Paulo Cezar Saraceni.
O lançamento oficial do CINEPORT e a instalação da Confraria do Cinema no Brasil aconteceu em 27 de agosto de 2004 em Cataguases-MG. E, logo a seguir em Portugal (Lisboa, 06 de outubro de 2004) e Moçambique (Maputo, 14 de outubro de 2004).
A Confraria do Cinema já selecionou os indicados ao prêmio “Andorinha”: a relação completa encontra-se na parte final deste release.
Para decidir sobre a premiação do “Andorinha Digital”, foi constituída comissão de seleção por meio da Comissão Executiva do Festival, que já se encontra em plena atividade. A relação dos indicados será divulgada até o dia 15 de maio. Durante o CINEPORT, um júri composto por três membros, reunidos em Cataguases, irá eleger os vencedores.
O Troféu Humberto Mauro será outorgado pela Comissão Executiva do Festival e contemplará a cada ano três personalidades de destaque nas cinematografias abrangidas. Nesta primeira edição do CINEPORT receberão o “Humberto Mauro” os cineastas Flora Gomes, da Guiné-Bissau, pelo Continente Africano; José Fonseca e Costa (Portugal) pelo Continente Europeu; e Nelson Pereira dos Santos (Brasil), pelo Continente Americano. Maiores informações sobre os laureados também se encontram ao final deste release. Detalhes sobre o CINEPORT podem ser obtidos no site oficial do Festival ( www.festivalcineport.com ).
CATAGUASES
Conhecida como “terra de Humberto Mauro”, Cataguases acostumou-se a conviver com cinema nos anos 20, quando havia na cidade a Phebo Brasil Filmes, empresa que produziu os primeiros filmes do cineasta. Na verdade, Humberto Mauro nasceu mesmo em Volta Grande, também na Zona da Mata Mineira, mas morou em Cataguases desde a adolescência até o final dos anos 20 e foi ali que dirigiu seus quatro primeiros longas-metragens.
Antenada na modernidade. Tratando-se de Cataguases, não é apenas uma expressão a mais. Desde os anos 1940, a cidade passou a “respirar o moderno” por todas as suas ruas. Prédios, esculturas, monumentos, tudo, quase tudo hoje tombado nessa cidade que é um monumento vivo do modernismo no interior do país.
Aquela casa “estranha”? Ali morou aquele “poeta moderno”. Francisco Inácio Peixoto, um dos fundadores da Revista Verde, cujo grupo – onde se destacaram Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Ascânio Lopes – representou a principal vertente do movimento modernista de 22 no interior de Minas, com conexões em todo o Brasil e até mesmo no exterior.
O mesmo Francisco Inácio Peixoto que, em 1940, contratara Oscar Niemeyer para projetar sua casa, a primeira de fatura moderna na cidade, e uma das primeiras obras do jovem arquiteto. Nela, jardins de Burle Marx, escultura de Jan Zach e José Pedrosa, E, em seu interior, mobiliado por Joaquim Tenreiro, telas de vários expoentes do modernismo, daqui e do exterior. Niemeyer seria chamado também, em1947, para projetar o moderníssimo prédio do Colégio Cataguases, referência do ensino secundário no Brasil dos anos 50 – onde, inclusive, estudou o compositor Chico Buarque de Hollanda.
Cataguases é modernista por vocação. É literatura (moderna) e cinema (moderno) desde os primeiros tempos do século 20. Nada mais natural que seja Cataguases a cidade brasileira a sediar agora um Festival que irá entrelaçar em seus fotogramas a língua e a cinematografia dos oito países que compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP, países que a partir de agora passam a formar o “Universo CINEPORT”: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. O Rio (de Janeiro) está a menos de quatro horas de automóvel. Belo Horizonte, um pouco mais: quatro horas e meia, se tanto. Juiz de Fora, pertinho: menos de duas horas. Conectada aos grandes centros, a cidade pulsa antenada na modernidade: várias indústrias de bom tamanho, principalmente de tecidos, e uma centenária Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, suprindo de energia Cataguases e toda a Zona da Mata de Minas Gerais.
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