HOMENAGEADO ÁFRICA - FLORA GOMES
Pelo Continente Africano, a personalidade escolhida pela Comissão Executiva do CINEPORT para receber o “Troféu Humberto Mauro” foi o cineasta Flora Gomes , da Guiné-Bissau. Lançado em 2004, o longa-metragem “ Nha Fala” (2002) – que será exibido em Cataguases durante o CINEPORT – é o seu mais recente trabalho. Flora Gomes é sinônimo de cinema no pequeno Guiné-Bissau, país que projetou o seu nome, hoje o mais conhecido do cinema africano.
Flora já participou de festivais importantes como Berlim e Cannes, e “ Nha Fala” concorreu na mostra oficial de Veneza em 2002, conquistando o prêmio Cidade de Roma – Arco-Íris Latino, criado para estimular a produção, difusão e comercialização do cinema de cultura latina. Quarto longa-metragem de ficção de Flora Gomes, “ Nha Fala” é uma comédia musical que faz uma ponte entre África e Europa, com uma atuação comovente da jovem atriz Fatou Ndiaye.
Formado pelo ICAIC, o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica, o guineense Flora Gomes (13.12.1949) começou trabalhando com repórter no Ministério de Informação de seu país. No fim dos anos 70 ele roda alguns curtas-metragens e em 1988, realiza seu primeiro longa, “Mortu Nega”, que evoca a luta pela independência da Guiné. Em 1992, é a vez de “Os olhos azuis de Yonta”, quando volta seu foco para a cidade de Bissau. Nos anos 1990, Flora Gomes passa a ser internacionalmente reconhecido face à seleção de seus filmes para competições oficiais em grandes festivais como Cannes, onde aparece com “Po di Sangue” (de 1996). Em 2002, é a vez de “Nha Fala' ganhar, além do “Città di Roma”, também o prêmio “Lanterna Mágica” no Festival de Veneza.
HOMENAGEADO PORTUGAL JOSÉ FONSECA E COSTA
Representando Portugal, quem recebe o Troféu Humberto pelo Continenete Europeu é o cineasta José Fonseca e Costa, autor de belíssima cinematografia – trajetória de mais de 40 anos como diretor – além de ser um realizador que é o próprio exemplo da cooperação cultural que se pretende entre o CINEPORT e as “nações CPLP”, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Um dos grandes amigos de Glauber Rocha, durante o tempo em que o cineasta baiano morou em Portugal, José Fonseca e Costa trabalhou em vários de seus filmes com atores e atrizes brasileiros, como no longa-metragem “A mulher do próximo”, com Fernanda Torres, que será exibido em Cataguases durante o Festival. No momento, o cineasta está realizando uma co-produção com o Brasil: “Viúva rica solteira não fica”.
Angolano de Caala (1933), naturalizado português, a carreira de José Fonseca e Costa inicia-se com “Clara d´Ovar em Óbidos” (1965) e após uma série de curtas, documentários e filmes publicitários chega finalmente a “O Recado”, seu primeiro longa-metragem, de 1969. Ainda na década de 1960, trabalhou com Michelangelo Antonioni no célebre “O Eclipse” (1962).
Desde então Fonseca e Costa vem construindo uma rica filmografia, onde se destacam “Os Demônios de Alcácer Quibir”, de 1975, “A Balada da Praia dos Cães”, de 1986, “A Mulher do Próximo”, de 1998, “Os Cornos de Cronos”, de 1990, e “Cinco Dias, Cinco Noites”, de 1996, saudado pela crítica como um de seus melhores filmes.
HOMENAGEADO BRASIL NELSON PEREIRA DOS SANTOS
Pelo Continente Americano, quem irá receber o Troféu Humberto Mauro é o cineasta brasileiro Nelson Pereira do Santos como a personalidade brasileira a ser contemplada com o Prêmio Humberto Mauro neste ano de 2005.
O paulista Nelson Pereira dos Santos (São Paulo, 28.10.1928) viu-se cineasta no Rio de Janeiro no início dos anos 50, quando realiza o curta-metragem “Juventude”, seu primeiro filme, e logo a seguir os dois filmes da trilogia inacabada sobre o Rio de Janeiro, fortemente influenciados pelo neo-realismo italiano: Rio Zona Norte” e Rio, 40º. Era o início de uma das mais importantes trajetórias do cinema brasileiro. Ao longo dos últimos 50 anos Nelson não parou de filmar, dirigindo obras-primas como Vidas secas (1963), Azyllo muito louco (1971), Como era gostoso o meu francês”(1972), O amuleto de Ogum (1975), Tenda dos Milagres (1977), Memórias do Cárcere (1984, prêmio da crítica especializada do Festival de Cannes)), Jubiabá (1987), A Terceira Margem do Rio (1994), Cinema de Lágrimas (1995) e Raízes do Brasil (2004).
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