Entre as láureas a serem entregues em Cataguases durante o CINEPORT encontra-se uma muito especial – o Troféu Andorinha STIC, que irá homenagear três personalidades do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica-STIC, órgão fundado no Rio de Janeiro em 1987, com o objetivo de ser a voz dos técnicos de cinema. Com indicações feitas pelos próprios associados do Sindicato, o Andorinha STIC é um troféu inédito em festivais: pela primeira vez a classe dos profissionais cinematográficos – particularmente o pessoal de sustentação das produções – é lembrada num evento do gênero.
Os Ganhadores
Indicados por seus colegas do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica, são os seguintes os três ganhadores do Troféu Andorinha STIC do CINEPORT/2005:
Alcino Pereira da Silva, eletricista cinematográfico, trabalhou durante 35 anos com cinema e 10 anos com televisão. Atuou em produções nacionais e internacionais. Considera entre os seus trabalhos mais marcantes o do longa-metragem “Chico Rei”, rodado em locações difíceis como uma mina e em alto mar. Mesmo afastado de sua atividade, garante que ainda hoje procura estudar para estar sempre evoluindo. Sobre o Troféu Andorinha STIC, confessa que não esperava a homenagem, que o deixa muito alegre. Acredita ter sido indicado por sua participação junto ao Sindicato e pela consciência de seus colegas de profissão, que souberam reconhecer o seu trabalho. Garante que, por ser um trabalho pesado, “o cinema é igual a cachaça, tem que gostar muito para continuar trabalhando”.
Hélia Carvalho é revisora de laboratório cinematográfico há 45 anos. Começou sua carreira revisando e dando polimento em negativos de jornais, e chegou a ser registrada em carteira como montadora de negativos. Muitos filmes brasileiros em preto e branco passaram por suas mãos: Vidas Secas, Isto é Pelé, Marcelo Zona Sul, Os Cafajestes. Aposentada há 14 anos, continua a trabalhar na mesma empresa. Hoje é responsável pelo controle de qualidade, a revisão de cópias dos filmes que estão saindo do laboratório. Os anos de experiência e o amor pela profissão fizeram com que permanecesse na empresa e ainda passasse os conhecimentos a seus colegas. Hélia confessa que não esperava ser indicada ao Troféu STIC, mas acredita que tornou-se merecedora da homenagem por ter procurado sempre cumprir seus deveres sem precisar que chamassem sua atenção. “Não gosto de sábado e domingo, sempre torci para chegar logo segunda-feira. Nasci para fazer isso e gosto muito do que faço”, diz ela.
José Assis de Araújo, o “Dutra”, trabalha há 56 anos em cinema. Começou batendo claquete e logo tornou-se assistente de câmera. Aprendeu sua função nos tempos da Atlântida, empresa onde trabalhou por quinze anos. Atuou pela primeira vez como assistente de câmera no filme Sombra da Outra. É um profissional bem requisitado, não só em filmes brasileiros, como americanos e franceses. Em 1968, participou de toda a filmagem da série americana Tarzan, que teve duração de um ano. “Dutra” considera o filme Chica da Silva seu trabalho mais marcante. Ele participou de mais de 300 longas-metragens, mas confessa que prefere trabalhar em documentários, pois é menos cansativo. Modestamente, confessa que já esperava pelo Prêmio Andorinha STIC – não só por tempo de carreira como pela admiração dos colegas que indicaram.