O mar, o mar imenso e ancestral, o mar-vocação, evocação, percurso. Lagos é o mar, o mar-Lagos no Algarve português. Documentos atestam a existência de sua povoação há mais de dois mil anos. A cidade remete de imediato à era dos descobrimentos: nela residiu o Infante D. Henrique; dela partiram expedições ao Marrocos e a toda a Costa Ocidental africana. Era uma cidade monumental, semi-destruída por um terremoto/maremoto em 1755. Estão ainda ali, intocáveis, os restos do castelo dos governadores, o antigo mercado de escravos e a extensa cerca de muralhas do século XVI.

A cidade dista 270 km de Lisboa e possui facilidades de acesso, ligada que está por auto-estrada ao leste do Algarve, às principais cidades de Portugal e à rede européia. É servida pelo Aeroporto Internacional de Faro, a 80km de distância, e tem um ar cosmopolita, com grande agitação noturna e intensa vida cultural. O mar primeiro e vários locais de interesse paisagístico, aliados a uma forte tradição — onde despontam a arquitetura popular, a gastronomia e o artesanato —, fazem de Lagos uma cidade aberta ao turismo. E que abre agora suas portas, e se faz porto cinematográfico. Que melhor recepção poderia esperar o II CINEPORT?

Mas nada disto seria possível não fora a sensibilidade e percepção do executivo da Câmara Municipal de Lagos, que aderiu prontamente ao projeto CINEPORT. E, logo de início, por entender que a cidade — com sua histórica relação com os descobrimentos portugueses — é o local perfeito para sediar a realização do Festival em Portugal.

A Câmara de Lagos valorizou também o CINEPORT por perceber que — além do contexto cinematográfico — o Festival se preocupa também em manter no âmbito de sua programação uma pauta relacionada à questão da cultura como fator de desenvolvimento. E ainda por ser o CINEPORT um evento distanciado de preocupações meramente midiáticas, firmando-se como um acontecimento que busca ampliar o espaço de discussão sobre as políticas públicas de cultura no espaço lusófono.