1. RELEASE II CINEPORT

Portugal recebe em Junho o II Cineport

Crescem no Brasil e em Portugal os preparativos para o acontecimento do ano do cinema em português, o II CINEPORT - Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. Neste ano, o Festival acontecerá na cidade portuguesa de Lagos, no Algarve, entre os dias 01 e 11 de junho de 2006. Em sua segunda versão, o CINEPORT cumpre seu destino de itinerar pelo mundo da língua portuguesa, após o grande sucesso de sua primeira edição em 2005, na cidade brasileira de Cataguases, Minas Gerais. O Festival irá sempre alternar sua sede a cada ano entre o Brasil e uma das nações da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que entra de novo em tempo de CINEPORT, exatamente neste ano em que comemora os seus 10 anos de existência. O II CINEPORT outorgará os troféus Andorinha, Andorinha Digital, Andorinha Técnica, Andorinha Criança e Leitão de Barros. As inscrições já estão abertas através do site.

Instituído pela Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, o CINEPORT tem como objetivo integrar o mercado cinematográfico e promover os filmes realizados em português e dialetos falados nas nações que compõem a CPLP-Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Ao confirmar o protocolo estabelecido em junho de 2005 em Cataguases com a Fundação Cultural Cultural Ormeo Junqueira Botelho – entidade idealizadora do Festival CINEPORT – e a ong Etnia - Cultura e Desenvolvimento, o Presidente da Câmara Municipal de Lagos, Júlio Barroso, reafirmou recentemente o compromisso daquela cidade em recebecer o II CINEPORT, pois está certo “de que esta iniciativa constitui um importante instrumento para o reforço da cooperação e dos intercâmbios socioculturais no espaço da Lusofonia”.

Disse esperar ainda “que seja possível mobilizar internacionalmente o máximo de apoios institucionais, financeiros e logísticos, para que o CINEPORT 2006 possa decorrer da forma que o seu tema e os seus objetivos exigem e merecem”. E mais, reitera “o grande prazer com que a sua cidade, cuja história está intimamente ligada ao universo dos Descobrimentos Portugueses, se associa ao CINEPORT”. Barroso lembra também “a feliz coincidência de se comemorar em 2006 o 10.º aniversário da criação da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o que aumenta ainda mais a importância e o significado desta realização”.

Português e dialetos

O português é a sexta língua mais falada no mundo, depois do chinês (mandarim), hindi, espanhol, inglês e bengali. O número de falantes ultrapassa hoje os 250 milhões, um vasto universo que abrange quatro continentes, com uma enorme diversidade cultural e ao mesmo tempo pontos atávicos de convergência.

A CPLP é formada por oito nações soberanas unidas por uma só fala oficial, exibindo ao lado dessa rara unidade idiomática uma harmoniosa convivência com a riqueza de vários dialetos. Apesar da dispersão geográfica, muitos profissionais de cinema desses países partilham a mesma experiência no uso da língua portuguesa como meio de expressão. Revigorar a língua pelo viés das diversidades das cinematografias apresentadas é uma das apostas do Festival.

Afora isso, por contemplar também os filmes rodados nos dialetos desses países, o CINEPORT irá incentivar e abrir mercados para essas realizações. Esta é outra de suas apostas: dar maior visibilidade às matrizes ancestrais africanas por meio da exibição de cinematografias específicas produzidas nos vários dialetos daquele Continente.

Cataguases, ponto de partida

O CINEPORT tem como uma de suas propostas uma alternância de sede entre os países de língua portuguesa e o Brasil. Levar o CINEPORT a Portugal (Lagos, no Algarve, de 01 a 11 de junho) é o coroamento de uma iniciativa que exigiu anos de esforços da promotora do evento, a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, até que fosse dada a largada em junho de 2005, quando da realização do I CINEPORT em Cataguases – um dos eventos de ponta do cinema no ano passado.

Afora o mundo do cinema brasileiro, também o mundo do cinema em língua portuguesa foi a Cataguases para, pelo menos, certificar-se da veracidade de um Festival de tal porte em plena Zona da Mata de Minas Gerais, naquela mesma cidade que há 80 anos protagonizou um dos mais importantes momentos do cinema brasileiro – a produção de filmes naquele que ficou conhecido como o Ciclo de Cataguases, com obras realizadas pelo então jovem cineasta Humberto Mauro.

Era tudo verdade. E mais que isso, assistiu-se ali a um acontecimento cultural com caráter aglutinador como poucas vezes se viu ocorrer no espaço da CPLP, com alcance e repercussão na mídia nacional e internacional. Cataguases recebeu com orgulho nomes como os de Mário Soares e José Aparecido de Oliveira, os idealizadores da Comunidade que comemora seus dez anos neste ano de 2006.

E, claro, os grandes cineastas do “universo CINEPORT”, que abrange oito países em quatro continentes. Exibiu-se na ocasião o melhor da produção cinematográfica desses países, o que veio sacramentar, principalmente, a abertura de um espaço de interlocução permanente entre muitos dos participantes – e favorecer uma série de parcerias profissionais e co-produções já em andamento.

No dia 11, na grande noite de encerramento do I CINEPORT – com o Cine-Theatro Recreio do Centro Cultural Humberto Mauro completamente lotado –, a cerimônia de entrega dos troféus foi aberta pela poeta Olinda Beja, de São Tomé e Príncipe, acompanhada pelo violonista caboverdiano Manuel D´Candinho. O Festival outorgou ao angolano Na Cidade Vazia o Troféu Andorinha de melhor filme. O brasileiro Júlio Bressane ficou com o Andorinha de melhor diretor por Filme de Amor, que deu também a Walter Carvalho o Andorinha de melhor fotografia. O brasileiro Daniel de Oliveira foi o melhor ator por Cazuza – o Tempo não Pára, e a atriz portuguesa Beatriz Batarda levou seu Andorinha por A Costa dos Murmúrios. Sylvio Tendler ganhou seu Andorinha por Glauber – Labirinto do Brasil, melhor documentário.

O Troféu Andorinha Criança foi dado por um júri infantil ao brasileiro Tainá 1 – Uma aventura amazônica. Prêmio inédito em festivais do gênero, o Troféu Andorinha STIC, outorgado aos profissionais do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Cinematográfica, foi recebido pelo eletricista cinematográfico Alcino Pereira da Silva; pela revisora de laboratório Hélia Carvalho; e pelo assistente de câmera José Assis Araújo.

Na noite de gala, a presença dos grandes diretores homenageados com o Troféu Humberto Mauro colocou definitivamente a chancela de qualidade aos eventos do I CINEPORT: junto ao presidente da Confraria do Cinema, Paulo Cezar Saraceni, estavam lá – mãos dadas num entrelaçamento CINEPORT-CPLP – o brasileiro Nelson Pereira dos Santos, o português José Fonseca e Costa e o guineense Flora Gomes.

Andorinhas em Lagos

As andorinhas do II CINEPORT aportam em Lagos, Portugal, no ínício de junho de 2006 – e o Festival já começa de novo a movimentar o mundo cinematográfico das nações CPLP. Com pouco mais de 15.000 habitantes, Lagos está situada na região do Algarve português. Documentos atestam a existência de sua povoação há mais de dois mil anos. A cidade remete de imediato à era dos descobrimentos: nela residiu o Infante D. Henrique; dela partiram expedições ao Marrocos e a toda a Costa Ocidental africana. Era uma cidade monumental, semi-destruída por um terremoto/maremoto em 1755. Estão ainda ali, intocáveis, os restos do castelo dos governadores, o antigo mercado de escravos e a extensa cerca de muralhas do século XVI.

A cidade dista 270 km de Lisboa e possui facilidades de acesso, ligada que está por auto-estrada ao leste do Algarve, às principais cidades de Portugal e à rede européia. É servida pelo Aeroporto Internacional de Faro, a 80km de distância, e tem um ar cosmopolita, com grande agitação noturna e intensa vida cultural. O mar primeiro e vários locais de interesse paisagístico, aliados a uma forte tradição – onde despontam a arquitetura popular, a gastronomia e o artesanato – fazem de Lagos uma cidade aberta ao turismo.

O Festival e a Confraria

O II CINEPORT irá conceder cinco tipos de troféus: Andorinha, Andorinha Digital, Andorinha Técnica, Andorinha Criança e Leitão de Barros. Para selecionar as realizações e conceder o Troféu Andorinha, na modalidade 35mm, foi criada em 2004 a Confraria do Cinema, formada por profissionais da área, que atua nos países de língua oficial portuguesa. Para o Andorinha Digital, será constituída primeiro uma comissão de seleção, por meio da Comissão Executiva do Festival. A seguir, um júri composto por três membros elegerá os vencedores.

A Confraria do Cinema foi criada principalmente para servir como um colegiado responsável pelas indicações dos filmes e profissionais concorrentes ao Troféu Andorinha, que será conferido durante o CINEPORT. A Confraria do Cinema já está efetivamente formada em Angola, no Brasil, em Moçambique e em Portugal e tem também como objetivo estatutário tornar-se um fórum permanente do cinema e do audiovisual desses países.

Nas primeiras edições do CINEPORT, as nações que não possuem ainda atividade cinematográfica desenvolvida – como Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Cabo Verde – terão representação no Festival como júri ou como participantes nos seminários e debates. Na medida do possível, a Comissão Executiva do CINEPORT estimulará a formação profissional nesses países, possibilitando sempre a presença de algum estudante ou amador da atividade cinematográfica no Festival.

Troféu Andorinha

Troféu esculpido na forma da ave que o denomina, o Troféu Andorinha será conferido pelo CINEPORT a dezessete categorias, concorrendo filmes de longa-metragem em 35mm, falados em português e/ou dialetos locais, lançados comercialmente no ano anterior à realização do Festival nos países da CPLP e escolhidos pelos membros da Confraria do Cinema. São as seguintes as suas categorias: filme, produtor, diretor, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, fotografia, roteiro, montagem, direção de arte, trilha sonora, música, figurino. No segmento documentário, recebem também seus troféus as categorias direção, edição e fotografia.

Troféu Andorinha Digital O Andorinha Digital possui regras próprias, pois – além de ter o seu processo de seleção determinado por uma Comissão de Seleção do Festival – permite a participação de filmes inéditos que não tenham sido lançados no circuito comercial, além de curtas-metragens e filmes de animação. Categorias contempladas:

Longa-metragem
Melhor filme ficção
Melhor documentário

Curta-metragem
Melhor filme ficção
Melhor animação
Melhor documentário

Júri Popular
Melhor filme em todas as categorias.

Podem se inscrever obras de realizadores oriundos de países que têm o português como língua oficial, faladas em português e/ou dialetos locais, e produzidas originalmente em suporte digital, realizadas a partir do ano anterior à realização do Festival.

Troféu Leitão de Barros O Troféu Leitão de Barros será outorgado pela Comissão Executiva do Festival e contemplará três personalidades de destaque nas cinematografias abrangidas pelo II CINEPORT. Se a primeira versão do Festival homenageou o cineasta Humberto Mauro, pioneiro do cinema no Brasil, nada mais justo que a “versão portuguesa” do II CINEPORT renda homenagem a Leitão Barros (1896-1967), o também grande pioneiro do cinema português.

De 1918, ano de sua estréia na direção com dois filmes de ficção, “Mal de Espanha” e “Malmequer”, até 1966, quando dirige seu último filme, Leitão de Barros dedicou quase 50 anos de sua existência à atividade cinematográfica, deixando seu nome ligado à própria história do cinema português.

Claramente influenciado pela linha do cinema documentário soviético, Leitão de Barros parte nos anos 1920 para Nazaré, uma vila de pescadores cuja tradição cultural parecia intocada pelos valores do mundo capitalista. Ali realiza duas de suas obras mais marcantes, “Nazaré, Praia de Pescadores”, documentário de 1927, e “Maria do Mar” longa ficcional, de 1930, inspirado no Romeu e Julieta shakespereano, que surpreende pela força com que aparece o cotidiano do moradores de Nazaré. “Maria do Mar” é tido como uma das obras-primas da cinematografia portuguesa.

Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho

Promotora do Festival, a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho atua desde 1985 na Zona da Mata de Minas Gerais; no município de Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro; e na cidade de João Pessoa, na Paraíba. Nesses locais, denominados “Usinas Culturais”, são mantidos espaços com total infra-estrutura para eventos, e que agem como centros de formação artística para crianças e jovens de baixa renda, por meio de cursos de música, dança, teatro e artes plásticas. A Fundação atua também na recuperação de patrimônio arquitetônico, manutenção de museus e patrocínios à edição de livros e a grupos musicais, teatrais e folclóricos.

Ormeo Junqueira Botelho – que dá nome à Fundação - foi um importante líder político e empresário de destacada atuação em Minas Gerais. Ele presidiu por seis décadas a Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, uma das mais tradicionais empresas distribuidoras de energia elétrica do país e também uma das principais mantenedoras da Fundação.

O CINEPORT-Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa é uma iniciativa da Fundação OJ, que tem sua sede em Cataguases, onde o pioneiro Humberto Mauro dirigiu seus primeiros filmes. A Fundação mantém na cidade um Centro Cultural que em abril de 2006 abrirá as portas de um segmento destinado especialmente à memória do cineasta. O CINEPORT possui também uma grande rede de parceiros institucionais governamentais e privados em todos os países-membros da CPLP.