
Mart´nália: a negritude mais completa
Fechando a noite de sábado na Cidade CINEPORT de Cinema, a cantora carioca Mart"nália – acompanhada dos músicos africanos Paulo Flores, de Angola, e Tito Paris, de Cabo Verde – fez um show vibrante, que envolveu o grande público presente à Tenda da Música. O samba de Vila Isabel e a música de Jorge BenJor, mesclada à canção da caboverdeana Cesária Évora e outros ritmos africanos, deram a tonalidade do espetáculo, realçando a língua comum aos povos que formam o universo do CINEPORT. Um show que deu voz aos músicos, pois eles próprios descrevem a singularidade desse encontro da música lusófona.
"Primeiro é um privilégio mostrar as nossas semelhanças e diferenças. Hoje eu cantei uma música com a Mart"nália que me lembra a minha infância, quando o Martinho da Vila levou a Angola uma caravana que se chamava Projeto Calunga e que tinha Chico Buarque, Djavan, Clara Nunes e Gilberto Gil”, disse Paulo Flores.”Nessa época eu ficava vendo o ensaio deles e me disse: ´é isso que eu vou fazer´. Estar aqui hoje no Brasil e cantar as suas músicas e homenageá-los é dizer que valeu a pena seguir a música. Depois de 20 anos de carreira, eu tenho o prazer de ter cantado como fiz hoje aqui em João Pessoa – e isso é maravilhoso".
Gostar da cultura do outro
Conterrâneo de Cesária Évora, o músico caboverdeano Tito Paris enfatiza a importância do intercâmbio cultural entre diferentes nações. "Esse encontro foi fantástico. Demonstra que a música não tem fronteiras. Quero dizer isso porque hoje aqui eu aprendi mais alguma coisa, que vou levar para lá, para a minha cultura. Porque quem não gosta da cultura do outro não gosta da própria cultura, e a minha cultura só enriquece quando acontece esse tipo de encontro acontece. E
foi o que eu vim fazer, fui bem recebido, o público é fantástico, o grupo é espetacular. Espero repetir mais vezes".
Filha de um dos grandes nomes da música brasileira e uma das referências internacionais para a moderna música de língua portuguesa, Mart"nália refere-se ao pai, Martinho da Vila, como um diplomata da Mãe África e revela-se orgulhosa de participar de um encontro como o que foi proporcionado pelo CINEPORT, onde realça a troca de valores culturais.
"É bom que João Pessoa seja a rota também de Cabo Verde. E é bom estar nesse Festival, que é uma coisa cultural, na verdade uma reunião de países amigos da mesma língua. Já conheço algumas Àfricas, pois já tinha tocado com meu pai, porque meu pai como todo mundo sabe é como se fosse um embaixador de todas as Áfricas”.
“Quando me chamaram para esse encontro”, continuou Mart"nália, “eu me senti assim mais completa ainda com a minha negritude, com todas as diferenças, com nossas misturas. Cabo Verde mostra bem o que é a Àfrica, que é uma África mais misturada. Já Angola é uma Àfrica mais negra e o Brasil é uma grande África e tudo isso junto e aqui!".
Em ritmo de samba, a noitada de sábado estendeu-se noite adentro, contagiada pela energia harmoniosa dos músicos que subiram ao palco e proporcionam ao grande público do CINEPORT a oportunidade de conhecer um pouco da música que envolve a cultura que está nas telas do Festival.











