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Paula Gaitán: do experimental à vídeoarte



Roteirista e cineasta, Paula Gaitán é uma artista colombiana formada em artes plásticas na década de 1970. Professora na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, ela inaugurou hoje no CINEPORT sua oficina Do Cinema Experimental à Vídeoarte.

Nessa oficina, Paula se propõe a ajudar a deflagrar um processo criativo nas pessoas e potencializar as suas capacidades, abrindo um espaço poético, um espaço de reflexão a partir das imagens e das idéias, em vez de um cinema narrativo e linear. “Hoje em dia a questão da imagem em movimento integrou-se completamente às artes visuais, mesclou vídeoarte e fotografia. Os artistas plásticos estão trabalhando muito com esse suporte de vídeo, daí eu faço essa passagem do documentário e do cinema para as artes visuais”.

No Brasil, Paula realizou dois documentários. Um sobre a artista plástica Lígia Pape, que faz parte da série Artistas Brasileiros, da Rio Arte. O outro é Uaka, que quer dizer “céu” em Kamaiura – um longa-metragem sobre o Kuarup, feito no Xingu.

Diário de Sintra

Em 1978, Paula Gaitán passa a trabalhar como diretora de arte de Glauber Rocha, na preparação do último filme, A Idade da Terra. Desde o início de sua trajetória, a artista trabalha com a linguagem do documentário, explorando o conceito de documentário de invenção, “um documentário que transita pela questão do cinema poético, de criação, um documentário de modalidade reflexiva”, como ela diz.

A cineasta está finalizando Diário de Sintra, longa-metragem que acabou de rodar em Portugal, também um documentário de caráter reflexivo. Trata-se de uma co-produção com Portugal, que terá também uma versão televisiva. “É um documentário sobre a memória”, diz Paula. “Eu fui companheira do Glauber em Sintra, e esse é um material que eu tinha filmado em 1981, quando morei lá com Glauber e meus filhos. Não é um filme sobre o Glauber, é um filme em torno do Glauber”.

“Trata-se de um documentário que não tem um perfil jornalístico”, continua Paula. Nem é uma tese, é um documentário em torno da memória, e essa memória trabalha com a subjetividade, como tudo o que é memória. É um recorte que eu faço desse momento. Não pode se dizer que seja um filme jornalístico, histórico. Na realidade, é um filme muito mais sobre mim, eu sou o tema principal. Diário de Sintra é como se fosse um diário de anotações, a partir do material de super oito que eu fiz naquela época”.

Cinema que pensa

Para a artista o importante é colocar pontos de interrogação nesse momento em que o cinema está numa vertente tão mercadológica. Paula Gaitán organiza um evento no Rio de Janeiro, “Cinema que Pensa”, com o seu filho Erick Rocha e um filósofo. É um pouco do que ela está fazendo nesta oficina de João Pessoa, colocando questões e abrindo uma discussão a partir de filmes de diretores mais experimentais.

“O cinema tornou-se um espaço muito mais de questões relativas à produção do que da própria vida, da própria criação. Eu acho que pelo menos plantando essa sementinha isso já é importante. Se saírem desse grupo de 30 pessoas que participam da oficina pelo menos cinco pessoas que eu possa potencializar, eu acho que isso já vale o trabalho. Fazer workshops e ser professora é um trabalho de militância que eu tenho além do meu trabalho de artista, que é um trabalho muito individual, autoral. É poder servir para ajudar a transformar. É uma gota d´água no oceano, mas energiza e é muito gratificante”, conclui Paula.



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