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Quem veio de toda parte
por amor à sétima arte



Você que veio de longe/ por trás dos montes/seja bem vindo aqui/você que cruzou o mar/e veio nos visitar/você que veio de toda parte/por amor à sétima arte/é só o amor que traz a sorte/e por amor se fez o CINEPORT.

Eram cerca de nove da noite de ontem em João Pessoa quando o Coral dos alunos do Projeto Café com Pão Arte ConFusão, da Usina Cultural Saelpa, começou a entoar o hino do Festival, com letra de Marco Aurélio Gonçalves, dando início à cerimônia de abertura do 3º CINEPORT. Acomodados na grande tenda do Troféu Andorinha, os cerca de 400 convidados já haviam passado, ao pisarem o tapete vermelho da Cidade do Cinema, pela grande galeria onde se encontram expostos imensos painéis fotográficos.

Viam-se ali as homenagens aos 80 anos do escritor paraibano Ariano Suassuana – com fotos de Gustavo Moura – e às personalidades do cinema de língua portuguesa que receberão os Troféus Andorinha Técnica (Gabriel Mondlane, de Moçambique; Vasco Sequeira, de Portugal; Carlos Roberto Silvestre, do Brasil) e o Humberto Mauro (os cineastas Zezé Gamboa, de Angola; Vladimir Carvalho, do Brasil; e Luis Galvão Teles, de Portugal).

Língua “mátria”

“Esta terceira edição do CINEPORT traz avanços importantes do ponto de vista da sua consolidação” – disse no discurso de abertura a diretora do Festival, Mônica Botelho. “A partir de agora é incorporada uma vertente conectada à literatura, que vem se juntar a eventos nas áreas de teatro, dança, música, artes plásticas e fotografia. O Festival irá também sediar o encontro das autoridades cinematográficas da CPLP, o que significa o reconhecimento de seu alcance pelas nações que formam o universo onde o CINEPORT interage”.

Representando o Ministro Gilberto Gil, o Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, relembrou o padre Antônio Vieira ao se referir à “língua mátria” – e deixou mais uma vez patente o seu apoio à realização do Festival. Apoio também manifestado por Cássio Cunha Lima, Governador da Paraíba, que mencionou a vocação paraibana para o cinema, não só em termos de seus cineastas, mas de seus espaços para locação, como a cidade de Cabaceiras, cenário de várias realizações recentes do cinema brasileiro.

Ressaltando “a competência, o carinho e o empenho” da Fundação Ormeo Junqueira Botelho na realização do Festival, o Prefeito de João Pessoa, Ricardo Vieira Coutinho, afirmou também seu pleno apoio ao evento, destacando sua importância para a evolução da atividade audiovisual nos países-membros da CPLP.

Sintam-se em casa

“Será aqui, a partir de hoje e por mais nove dias” – disse Coutinho –, “que homens e mulheres dessas nações encontrarão mais que intercâmbio cultural e aprendizado cinematográfico. Aqui nesta Paraíba do dramaturgo Ariano Suassuna, do maestro Sivuca, do escritor José Lins do Rego e do pintor Pedro Américo encontrarão a acolhida de irmãos de sangue e sonhos. Uma pátria só, ancorada na solidariedade e na partilha. Uma terra, antes desconhecida para a maioria, que servirá de moldura para afinidades e cumplicidades estéticas. Sintam-se em casa, pois”.

Desfeita a mesa, que contou também com as presenças do Presidente do Sistema Cataguazes-Leopoldina, Ivan Müller Botelho, do Secretário da Câmara Municipal de Lagos, Paulo Moraes, e do Embaixador do Brasil na CPLP, Lauro Moreira, subiu ao palco o cineasta paraibano Vladimir Carvalho para apresentar seu mais novo filme, “O Engenho de Zé Lins”. “Eu devo este filme a mim mesmo”, afirmou Vladimir numa fala inusitada, de aparente arrogância, principalmente quando vinda de alguém que se sabe tão cordato e simples – tão simples como macaxeira, carne-de-sol, um copo d´água.

Mas, o que parecia um falar retórico, na verdade era a pura verdade, exatamente como o cinema verdade realizado pelo mestre do documentário brasileiro. Vladimir lembrou de seu pai, que lhe “aplicou” quando menino Zé Lins e seus moleques Ricardos e meninos de engenho. Foi ovacionado e sua fala emocionou tanto quanto seu belo filme sobre a trajetória do romancista paraibano. Bela abertura para um CINEPORT que se faz a partir de agora paraibano-português-africano. Amálgama de uma língua de vária pátrias, perdão, “mátrias”.



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