
Intervalo das águas e domiciliares
Na tarde de sábado, uma alegre trupe trajando fantasias desencontradas, e por isso mesmo atrativas, despertou a atenção do grande público que circulava pelas alamedas, enquanto aguardava as sessões na Cidade CINEPORT do Cinema. Após dois meses de ensaios, esta era a estréia do grupo comandado pelo ator e diretor mineiro Marco Aurélio Gonçalves e formado por 34 atores paraibanos e seis estudantes de escolas públicas.
Ao ar livre, o espetáculo logo conquistou o público, que passou a acompanhar os atores e a seguir com atenção suas falas, extraídas de livros de dois poetas paraibanos: Todas as Águas, de Lúcio Lins; e O Cerco da Memória e Zôo Imaginário, de Sérgio de Castro Pinto. O diretor elaborou também uma pequena encenação com quatro atores, intitulada Uma História de Amor nas Beiradas do Mar, que em dois meses realizou 180 apresentações nas escolas publicas de João Pessoa.
“Estou muito feliz pela oportunidade de trabalhar com atores de cultura completamente diferente da dos atores mineiros, com os quais eu já estou acostumado a trabalhar”, disse Marco Aurélio. “Quando comecei a seleção e preparação dos atores percebi que não havia tanta diferença assim, pois a proposta da montagem com poemas foi facilitada pelo envolvimento dos atores com os textos, que são de autores paraibanos conhecidos”.
O grande desafio foi colocar em prática uma dinâmica que os jovens atores ainda não tinham experimentado, propondo uma compreensão e um entendimento não convencional do teatro. “O espetáculo, é uma grande instalação composta por atores, figurino, texto, música e o próprio público, que com ele interage e que representa o mar”, continua Marco Aurélio: ”foi muito emocionante e forte ver o publico interagindo, todo mundo se deliciando com uma proposta de estranhamento”.
Os alunos da rede pública também participaram do projeto Costurando a distância, abraçando o mundo, confeccionando três mil bonecos que representam as etnias e que serão utilizados na ornamentação da cidade do cinema. Outra ação do CINEPORT é o projeto No Bico da Andorinha, onde os alunos da rede pública escreveram cartas para as crianças dos países africanos da CPLP, que serão entregues aos representantes desses países no CINEPORT.
No próximo sábado, dia 12 de maio, Intervalo das Águas e Domiciliares será novamente apresentado ao público espaço da Usina Cultural Saelpa, onde foi montada a Cidade CINEPORT do Cinema.











