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Etnografia da Amizade



Um grande público lotou as tendas para cada uma das sessões da Cidade do Cinema CINEPORT neste domingo. A programação do dia teve início logo às 16:00h, com a concorrida Mostra Competitiva do Andorinha Criança Digital e seis curtas-metragens em disputa pelo troféu.

"Acho que essa programação infantil é belíssima e contribui demais para cidadania da gente, além de incentivar a criançada a se aproximar mais do cinema, que é também uma atividade educativa pra eles. Pretendo trazer meus filhos durante toda a semana", comenta a Assistente Social Ana Maria Gonçalves.

Também às 16:00 h, na Tenda Andorinha, era dava continuidade à Mostra Paraíba, que exibiu o longa-metragem O Quinze, de Jurandir Oliveira. O filme traz em seu elenco Soia Lira, um dos grandes nomes do teatro da Paraíba – vencedora com o premiado espetáculo Vau da Sarapalha.

Soia Lira também procura se atualizar com freqüência com a cinematografia nacional. "Não conhecia O Quinze e achei maravilhoso, porque tive a oportunidade de assisti-lo aqui nesse festival, que só vem a engrandecer o calendário cultural da cidade", disse a pedagoga Luiza Gonçalves de Abreu.

A Sessão Troféu Humberto Mauro também atraiu um grande público, que prestigiou uma obra-referência do cineasta angolano Zezé Gamboa. O documentário Mopiopio apresentou às pessoas presentes um recorte da cultura de Angola em torno de um passeio pelos elementos que caracterizam as misturas e tradições da música daquele país. "Achei essa leitura da música angolana maravilhosa. Ver a identificação deles, e a gente assistindo acaba se identificando também. É muito lindo a gente ver essa raça maravilhosa, depoimentos lindos e esse Festival é algo incrível", observa a veterana atriz paraibana Cida Costa.

Uma das sessões mais concorridas deste domingo foi a de homenagem ao cineasta português Luiz Galvão Teles, também na Tenda Andorinha, onde não bastaram as cadeiras para as cerca de 500 pessoas que estiveram presentes para assistir ao filme Tudo Isto é Fado. Logo em seguida, foram prestadas homenagens ao cineasta Paulo Cezar Saraceni, presidente da Confraria do Cinema, entidade responsável pelas indicações ao Troféu Andorinha 35mm e pelos homenageados com o Troféu Humberto Mauro no CINEPORT.

Foi então exibido o documentário A Etnografia da Amizade, de Ricardo Miranda. A produção recorda memórias e a obra do homenageado, que se misturam ao mesmo tempo às memórias da cinematografia brasileira e da própria história do Brasil.

"O filme é muito bom porque começa com Ao Sul do Meu Corpo, que é um filme adaptado de um livro de Paulo Emílio de Sales Gomes, o maior crítico que o Brasil já conheceu, junto com o Otávio Farias. O filme era do tempo da ditadura, e ficou preso na censura por três anos. Meus filmes todos ficaram presos na censura e era uma coisa incrível porque eu não gostava da ditadura e realmente eu tinha uma coragem imensa. Fiz um filme chamado O Desafio, realizado a menos de um mês do golpe militar, e acabei ficando visado pelos militares o tempo todo", concluiu cineasta.



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