
Performances marcam
dia do artista plástico
Hoje, oito de maio, é o dia nacional do artista plástico, data escolhida em homenagem ao pintor paulista Almeida Júnior. O Festival CINEPORT elaborou para esta data uma programação especial que começou na Tenda Andorinha Digital, com a exibição do filme Cara de Cão, da diretora brasileira Helena Lustosa. Trata-se de um divertido e fictício bate-papo entre os artistas Hélio Oiticica, Lygia Clark e Marcel Duchamp. Dando continuidade aos eventos, houve na Galeria da Usina a apresentação de vídeos de arte do acervo do Núcleo de Arte Contemporânea – NAC. Em seguida, aconteceram várias performances na Galeria, com artistas plásticos e convidados.
DUDUDE HERRMANN – Bailarina mineira que abriu a série de performances.
“A performance que apresento chama-se Vou Construindo e Destruindo ao Mesmo Tempo que Danço, onde trabalho a construção de um estado de dança em tempo presente, efêmero. Há um bom tempo eu me reconstrui como uma improvisadora, porque desde a minha formação eu sempre tive a improvisação como companheira. Em 2003, eu habitei a praça Santa Tereza em Belo Horizonte, durante um ano, pelas manhãs. Ali fui tecendo e reelaborando os meus procedimentos, à partir do contato com as pessoas, com as árvores, com o entorno. Já faz tempo que trabalho com a Companhia de Dança Benvinda – que está na Caravana FUNARTE de Circulação Nacional – esta questão da improvisação como produto final do trabalho. Foi uma ótima coincidência o CINEPORT estar acontecendo neste momento aqui em João Pessoa, pois já tenho uma colaboração com a coreógrafa Daniela Guimarães, que dirige a Cia Ormeo Teatro-Dança.”
JORGE ROCHA – Artista português que trata em sua performance da relação do corpo com os movimentos involuntários.
"Procedimento Administrativo é uma performance que tem a ver com coisas que nos enervam, com a incorporação de movimentos quase esquizofrênicos no corpo, movimentos repetitivos. Tudo isso tem a ver também com o meu trabalho – a parte administrativa que todo trabalho tem, principalmente quando você trabalha em estruturas organizadas com muita gente. As pessoas cada vez mais criam procedimentos que muitas vezes são contra aquilo que é humano. Então, teu corpo começa a responder com aquilo que chamam de “parasitas do corpo”. Toda pessoa realiza movimentos repetitivos diariamente, seja alisando o cabelo, seja coçando a mão. Enfim, não estou querendo incorporar todo esse sofrimento no meu trabalho, mas eu uso todo esse movimento de repetição e de indiferença desses processos no corpo humano".
NÁSTIO MOSQUITO – Artista angolano, músico de jazz e vocalista da banda Homem Nu Faca no Bolso.
“Acho que o termo performance é uma expressão errada. Eu chamo de comunicação ou atuação, o que transmite a palavra às pessoas. A ação é feita através de poemas, músicas e comunicação. Esta ação tem a ver com Angola, com o amor pela terra sem estar na terra, e a dificuldade que é estar fora de um lugar e voltar para ele e entrar nesse contexto. É uma ação totalmente biográfica, mas também tem um quê pouco de criação. De cima do palco eu tento contextualizar os poemas e trazer as pessoas para dentro da ação que vai acontecendo no ritmo que as pessoas queiram que aconteça. Se percebo que as pessoas gostam, a ação pode durar até uma hora. Para mim é uma oportunidade fantástica essa de estar aqui no Brasil, mostrando pela primeira vez o meu trabalho. Eu sempre quis ter essa oportunidade de falar com o público brasileiro. E estar neste Festival de cinema da língua portuguesa e das artes é fenomenal.“











