

Na qualidade de artista convidado, o paraibano José Rufino inaugurou no último dia 08 de setembro a programação do Prêmio Energisa de Artes Visuais – evento bienal promovido pela FOJB-Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho e patrocinado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) do Ministério da Cultura. Denominada Divortium Aquarum, a exposição de Rufino tem como mote a toponímia da Cruz do Peixe, antigo entreposto de peixes e cruzamento de linhas de bonde, onde está situada a Usina Cultural Energisa.
A mostra, que antecede as exposições coletivas dos artistas selecionados pelo prêmio, teve a curadoria do crítico e professor Fernando Cocchiarale e faz parte da Programação Oficial do 5º Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa-Cineport, promovido pela FOJB. José Rufino, que vive e trabalha em João Pessoa, desenvolveu sua jornada artística passando da poesia para a poesia-visual e, em seguida, para a arte-postal e desenhos, nos anos 80. O universo do declínio das plantações de cana-de-açúcar no Brasil conduziu seu trabalho inicial em desenhos e instalações com mobiliário e documentos de família e institucionais. Filho de ativistas políticos presos pela ditadura do regime militar brasileiro nos anos 60, o artista é também muito conhecido por seus impressionantes trabalhos de caráter político. Ultimamente, tem realizado incursões na linguagem cinematográfica e desenvolve cada vez mais um trabalho misto de monotipias/móveis/objetos e instalações. O diálogo dicotômico entre memória e esquecimento contamina seu trabalho por completo.
A mostra permanecerá em cartaz até 16 de outubro, com visitação de terça a domingo, das 14 às 20h, na Galeria da Usina.


Licenciado em publicidade no Brasil, pela Universidade Federal de Minas Gerais, o cabo-verdiano Nuno de Pina trabalha em seu país como Designer Gráfico e é docente dessa mesma área da Comunicação na Universidade Lusófona de Cabo Verde, na cidade do Mindelo. A sua ligação com fotografia começou com uma oficina durante a licenciatura, mas somente neste último ano tem procurado explorar uma proposta estética sobre a fotografia. Neste percurso, munido de uma Nikon D50 e de uma objetiva de 50 mm, procurou durante vários dias captar a vida da Rua da Praia, uma das vias públicas mais emblemáticas da cidade do Mindelo.
De frente para o mar Atlântico, a Rua da Praia respira a maresia da parte mais antiga e marginal desta cidade-cais, interpretada por personagens-gente a desafiar o porto de memórias sem partidas. As fotografias em preto e branco procuram reter a ocupação do espaço feita pelas pessoas e demonstrar o peso que a atividade piscatória artesanal exerce na vida cotidiana da cidade.
Outro trabalho que Nuno Pina tem desenvolvido é o confronto de texturas e cores que compõem paisagens ocultas da cidade do Mindelo, resultando numa ampliação sensível de coisas descartáveis. Embora sejam aparentemente intervalos daquilo que é a imagem da cidade, através das lentes do fotógrafo, esses elementos aparecem como cenários com maior peso no imaginário imagético do meio urbano.


A mostra permanecerá em cartaz até 25 de setembro, com visitação das 14 às 22h, na Sala de Exibição Livre.