Homenagens

Marcélia Cartaxo

Quem diria que aquela menina que sonhava com as estrelas dentro de um cinema de Cajazeiras, no interior da Paraíba, pudesse vir a ser uma delas? Ainda mais se se soubesse que seus ingressos eram pagos com as moedas que pegava entre aquelas depositadas pelos fiéis no Santo Antônio da igreja? Mais tarde ela diria que "o Santo deve ter achado um bom investimento, pois nunca a descobriram". Na verdade, quem a descobriu mesmo não foram os fiéis da igreja, mas os fiéis adoradores de cinema. Transformada em atriz, logo em seu primeiro filme Marcélia Cartaxo experimentou, com apenas 22 anos, a projeção internacional no papel de Macabéa em A Hora da Estrela, longa-metragem de Suzana Amaral. Foi a primeira brasileira a ganhar, em 1985, o Urso de Prata no Festival de Berlim. Mas, mesmo com a estatueta nas mãos, ela iria atravessar quase duas décadas sem visibilidade proporcional à conquista inédita. Só muito depois ela deslancharia numa carreira ponteada de vários sucessos. Hoje, Marcélia Cartaxo é um dos maiores destaques do cinema nacional e conta com experiência invejável. Quem nunca viu A Hora da Estrela deve ver o quanto antes. Quem já viu, jamais esquecerá a pungente interpretação de Marcela-Macabéa. Nada mais justo que esta homenagem do CINEPORT a essa grande atriz paraibana., hoje também diretora de cinema e teatro.

Leão Lopes

Leão Lopes nasceu em Cabo Verde, ilha de Santo Antão, em 1948. Professor universitário doutorado pela Universidade de Rennes II, França, e diplomado em pintura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, ele é fundador do M_EIA, Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura, na cidade do Mindelo, onde desempenha as funções de reitor. Além da docência tem desenvolvido, ao longo dos anos, uma intensa atividade nos domínios da criação artística: Artes Plásticas, Design e Cinema. Como cineasta, assinou o primeiro longa-metragem caboverdeano, Ilhéu de Contenda, o documentário Bitu e, mais recentemente, S. Tomé - Os Últimos Contratados. Leão Lopes tem em preparação um próximo longa-metragem e dois documentários. Obras literárias: A História de Blimundo (conto para infância); Unine (conto para infância); Manual Básico de Construção; A Fabulosa História de Tom Farwell - O Pirata de Monte Joana; Baltasar Lopes - Um homem arquipélago na linha de todas as batalhas (biografia/tese); vários ensaios, em publicações nacionais e internacionais, sobre cultura, identidade e civilização caboverdeana. Além de ser fundador da ONG Atelier Mar (1979), Leão Lopes desempenhou cargos públicos como Deputado Nacional e Ministro da Cultura e da Comunicação. É também membro do Conselho da Presidência da República.

 

Joel Zito

Joel Zito Araújo, nascido em Lagedão, município de Nanuque-MG, é cineasta, escritor e pesquisador. Doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA/USP, concluiu o pós-doutorado e foi professor convidado no departamento de Rádio, TV e Cinema da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos. Dirigiu 24 filmes, dentre documentários de curta, média-metragem e curtas ficcionais, grande parte deles tematizando o negro na sociedade brasileira. Em 1999, finalizou seu primeiro longa para televisão, o documentário "O Efêmero". O diretor também escreveu vários artigos sobre a temática “Televisão e identidade negra no Brasil”, destacando-se o livro: “Negação do Brasil - o negro na história da telenovela brasileira”. Interessado de longa data no estreitamento cultural entre o Brasil e a África, tem desenvolvido projetos de cinema para serem rodados nos dois lados do Atlântico. Recentemente, criou e coordenou com o cineasta cabo-verdiano Leão Lopes o curso de Pós-Graduação Lato Sensu de cinema de Cabo Verde (Mindelo) no M_EIA Instituto Internacional de Arte para estudantes africanos, brasileiros e portugueses no primeiro semestre de 2011.

Inês de Medeiros

Nasceu em Viena, na Áustria, em 1968. Cresceu em Lisboa, onde começou a trabalhar como atriz  ainda adolescente. Desde 1995 que partilha a sua vida entre Lisboa e Paris. Em cinema, como atriz, participou em mais de vinte longas-metragens com realizadores como João Botelho,  Joaquim Pinto, José Fonseca e Costa, Jacques Rivette e Pedro Costa. No teatro, onde começou  sua carreira, fez diversos espetáculos, tanto em português quanto em francês, com encenadores  como Ricardo Pais, Olga Roriz e Alain Raíz, no Teatro Nacional de São Carlos, no Théâtre de l’Ódéon,  no ACARTE, entre outros. Em 2007, assina a sua primeira encenação teatral no Centro Cultural de  Belém: “Correspondência a Três”. Depois de ter trabalhado como asssistente de direção de  Teresa Villaverde, João César Monteiro e de Joaquim Pinto, desde 1998 que se dedica  à realização  de filmes de ficção e documentários. “Sr. Jerónimo”, o seu primeiro curta-metragem de ficção,  foi premiado em vários festivais, entre os quais se distinguem o prêmio para melhor filme
português no Festival Internacional de Vila do Conde e o prêmio Canal + em Brest. O seu primeiro  documentário de longa-metragem, “O Fato Completo ou à Procura de Alberto”, é selecionado  para o Festival Internacional de Veneza, na sessão Outros Territórios. O seu último filme, “Cartas  a uma Ditadura”, recebeu o prêmio da distribuição para o melhor documentário português no  DocLisboa 2006, o FIPA de Prata do Festival Internacional de Biarritz, o grande Prêmio do  Femina, no Rio de Janeiro e Prêmio do Público na Mostra de São Paulo 2007. Em 2009, foi
eleita Deputada da Assembléia da República Portuguesa.